Carlo Ancelotti segue preservando o mistério, mas já começou a dar pistas sobre a formação que deve encarar o Marrocos na estreia do Brasil. Nos poucos minutos abertos ao público e à imprensa, a comissão técnica sinalizou preferência por Matheus Cunha no ataque — opção que combina experiência e maior contribuição na recomposição pela esquerda, posição em que o adversário tem nomes perigosos como Hakimi.
A mudança em relação ao jogo contra o Egito, quando Igor Thiago começou entre os titulares, não é apenas preferência técnica: responde a uma necessidade tática criada pela perda de Wesley por lesão e ao desafio de conter os laterais e alas marroquinos. Internamente, Cunha é visto como peça que agrega presença de área sem abrir mão do trabalho defensivo exigido pelo confronto.
As maiores dúvidas estão, porém, nas laterais. Danilo e Alex Sandro têm a vantagem da experiência e do histórico recente, mas o treino mostrou Ibañez participando de exercícios posicionado como lateral-direito, com cruzamentos e movimentação ofensiva. A alternativa evidencia a busca por soluções que equilibrem cobertura defensiva e profundidade ofensiva, mas também expõe um risco: testar um zagueiro adaptado ao flanco em partida de abertura aumenta a margem de erro diante de um adversário rápido e intenso nas transições.
Com mais dois treinos antes do jogo, a tendência é um time que preserve o núcleo, com Alisson; Danilo (ou Ibañez), Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro (ou Douglas Santos); Casemiro e Bruno Guimarães; Lucas Paquetá, Raphinha, Matheus Cunha e Vinícius Júnior. A decisão final de Ancelotti terá peso político e esportivo: optar pela experiência diminui incertezas, enquanto a escolha por soluções novas pode sinalizar vontade de ousar — com custo potencial em organização defensiva.