A demissão de Ricardo Catalá do São Bernardo, anunciada após oito partidas sem vitória, interrompeu um ciclo de dois anos, três meses e 25 dias no comando do clube do ABC paulista. O time, que garantiu o acesso no ano anterior, ocupa a 12ª colocação na Série B após 20 rodadas, e a troca no banco reforça a tendência de impaciência das diretorias diante de resultados irregulares.

Com a saída de Catalá, restam apenas 13 treinadores entre os 60 clubes das Séries A, B e C cujos trabalhos começaram antes da temporada 2026. Entre eles, apenas Abel Ferreira, no Palmeiras desde novembro de 2020, e Rogério Ceni, no Bahia desde setembro de 2023, acumulam tempos de casa mais longos. A distribuição desses 13 técnicos é desigual: sete na Série A, quatro na Série B e dois na Série C.

A maioria dos trabalhos remanescentes foi iniciada em 2025. Nomes como Mazola Júnior (Ituano) e Leston Júnior (Floresta-CE) chegaram no começo da temporada passada e seguem no cargo. Rafael Guanaes, do Mirassol, assumiu em março de 2025, viveu a melhor campanha do clube com o quarto lugar e a vaga na Libertadores, mas hoje enfrenta um início de temporada difícil, ainda que mostre sinais de reação recente.

Alguns técnicos da lista resistiram a turbulências e têm entregado desempenho competitivo: Odair Hellmann levou o Athletico-PR ao acesso e ao topo do Brasileirão, enquanto Luis Zubeldía (Fluminense) e Vagner Mancini (Bragantino) mantém seus times no G-5. Por outro lado, Jair Ventura, no Vitória, coleciona resultados mistos e enfrenta a luta contra o rebaixamento apesar de vitórias pontuais em mata-matas.

Na Série B, a continuidade também aparece em alguns projetos: Eduardo Baptista comanda o líder Criciúma, Enderson Moreira segura o Novorizontino na briga pelo G-6, e o Náutico tem a dupla Hélio e Guilherme dos Anjos no banco. O levantamento aponta ainda que oito técnicos estrearam no começo de 2026 e que 39 clubes já trocaram de comandante na temporada — um termômetro da volatilidade que complica planejamento esportivo e financeiro dos clubes.