O uruguaio Nicolás De la Cruz completou 100 jogos pelo Flamengo no último Fla-Flu, marca celebrada pelo clube mas que reacende debate público sobre o retorno do investimento. Contratado por operação que somou cerca de R$ 102 milhões em 2024, o meio-campista coleciona atuações decisivas em jogos grandes, títulos e presença nas redes sociais do clube — mas também uma série de ausências que alimentam a crítica da torcida.

A queda no número de partidas disputadas a cada temporada é o principal ponto de atrito. De la Cruz teve 43 jogos em 2024, 35 no ano seguinte e caminha para novo recuo em 2026. Parte dessa redução é atribuída a problemas nos joelhos que demandaram procedimentos regenerativos com células-tronco e a um controle rigoroso de carga pelo departamento médico. A gestão individualizada, segundo a equipe, reduziu episódios agudos, mas não eliminou a limitação de sequência como titular.

O custo financeiro — e político entre sócios e torcedores — aparece também nas negociações. O meia quase foi emprestado ao Peñarol quando o clube buscava aliviar a folha, mas o acordo não avançou porque o time uruguaio não aceitou arcar integralmente com os salários. A situação expõe a diretoria a um dilema cotidiano: maximizar rendimento esportivo sem desperdício de recurso em um atleta com histórico de fragilidades físicas.

No curto prazo, o jogador tenta recuperar prestígio na Libertadores, onde tem aproveitamento positivo contra o Estudiantes. A discussão, porém, ultrapassa o campo: a diretoria e a comissão técnica precisam justificar contratos vultosos com resultados consistentes, ou aceitar que alto investimento implique custos de oportunidade na montagem do elenco. Para a torcida, a conta é simples — o clube quer vitórias, e o prazo de tolerância para alegações médicas tem limite.