Timothy Fayulu entrou nos minutos finais da prorrogação e mudou o rumo da decisão contra a Nigéria: o reserva defendeu duas cobranças na disputa por pênaltis e colocou a República Democrática do Congo a um passo da vaga na Copa do Mundo, encerrando um jejum de 52 anos. A imagem do jogador, vaiado por parte da torcida até então, virou a de um protagonista improvável.
A história de Fayulu carrega pontos que explicam o ceticismo inicial. Nascido na Suíça, o goleiro chegou a optar por defender as seleções de base suíças — inclusive atuou contra a Inglaterra sub-17 num amistoso que deixou marca negativa — e acabou rotulado por parte do público congolês como ‘traidor’. Convocado novamente em 2024 por Sébastien Desabre, ele somava apenas três partidas pela seleção antes do confronto com a Nigéria.
A opção do técnico de substituí-lo no fim da prorrogação foi arriscada e estudada: além de surpreender o rival, foi uma mensagem de confiança do treinador numa situação de alta pressão. O saldo foi imediato. As defesas decisivas de Fayulu garantiram não só a classificação para a fase seguinte do mata-mata — feita pela seleção congolesa pela primeira vez — como também a chance de disputar a repescagem mundial.
No plano prático, o episódio reforça a importância de escolhas técnicas e de gestão de grupo em momentos decisivos. Para a RD Congo, trata-se de um passo histórico rumo ao torneio. Para Fayulu, a atuação deve ressignificar críticas antigas e colocá-lo como opção concreta em cobranças futuras — como o treinador lembrou, a equipe treina pênaltis e considera alternativas táticas até na posição de goleiro.