Roberto De Zerbi foi claro, embora enigmático, ao comentar o caso Richarlison: elogiou a importância do atacante para o Tottenham e reconheceu que havia alternativas que poderiam levar à permanência — inclusive renovação —, mas assumiu que o afastamento foi consequência de uma decisão do próprio jogador. A declaração encerra, por ora, a novela interna que acompanhou as recentes janelas de transferência.

Ao tratar do episódio, o técnico italiano evitou detalhes e preferiu transferir a responsabilidade: “Se eu tivesse decidido deixá‑lo de fora da lista, eu me arrependeria. Mas a decisão ainda nem foi tomada pelo clube. Foi uma consequência do que eu já disse, que ele decidiu por conta própria”, disse De Zerbi, acrescentando que conhece “o comportamento de Richarlison” nos últimos 45 dias e que o desfecho poderia ter sido outro. O tom revela desconforto público com a gestão do caso.

Na mesma semana, Richarlison divulgou vídeo direcionado à torcida do Vasco, afirmando que esteve muito perto de defender o clube de coração. As negociações, porém, não avançaram, e o atacante de 29 anos segue fora das competições do Tottenham. O episódio deixa como saldo uma relação tensa entre jogador e comissão técnica, além de questionamentos sobre capacidade do clube em gerir situações de mercado sem desgaste público.

Politicamente dentro do clube e no mercado, a postura de De Zerbi funciona como sinal de firmeza: ao destacar que houve espaço para permanência, o treinador protege a imagem do trabalho e coloca a decisão do jogador como fator central do problema. Para Richarlison, a visibilidade do atrito exige negociação cuidadosa para reconquistar confiança ou buscar novo destino — caso contrário, o afastamento pode se estender e pesar na temporada e no valor de mercado do atleta.