Eduardo Baptista foi apresentado como novo técnico do Internacional com uma missão clara e curta: dez jogos para tirar o time do Z-4. O clube ocupa o 18º lugar, com 28 pontos, e precisa reagir já nas próximas rodadas para evitar que a situação se deteriore irreversivelmente. A direção, segundo o clube, fez proposta apenas a Baptista — o que coloca sobre ele a responsabilidade única pela resposta técnica e imediata.

No aspecto tático, Baptista defende ajustes rápidos que passem por maior presença de área: a chegada de um centroavante como referência é ponto destacado pelo técnico. Com Tony Sanabria servindo a seleção do Paraguai, Alerrandro virou a opção para os treinos, e há alternativas internas como o jovem João Bezerra. A janela fechada impede reforços, o que obriga a comissão a extrair soluções do próprio elenco e a ajustar posicionamentos para ganhar mais efetividade ofensiva.

Eduardo Baptista: "Vamos conseguir os resultados."

O contexto extra-campo também pesa. O Inter conviveu com protestos de organizadas e até invasão de torcedores ao CT Parque Gigante; houve trégua temporária após encontros entre lideranças e diretoria, mas a intolerância voltou após a derrota para o São Paulo. O novo treinador terá de blindar o vestiário e administrar o ambiente para não comprometer a performance. Em casa, o retrospecto é alarmante: a equipe tem a terceira pior campanha no Beira-Rio — em 14 jogos, foram três vitórias, cinco empates e seis derrotas, um aproveitamento de cerca de 33% — e ainda terá cinco partidas em Porto Alegre (Corinthians, Botafogo, Coritiba, Vitória e Bragantino) que podem definir o destino.

A falta de gols também é um problema real: 30 tentos em 28 rodadas somam entre os piores ataques da competição. Com menos de duas semanas até a retomada do Brasileirão, a margem para implementar mudanças é estreita. Se Baptista não arrancar resultados rápidos, o clube corre o risco concreto de queda, com consequências esportivas e institucionais que devem recrudescer a pressão sobre diretoria e comissão. O técnico se declara otimista, mas o tempo é curto e a alternativa inevitável é entregar performance concreta: resultado ou o problema continuará do mesmo tamanho.