Aposentado em janeiro de 2025, nove meses após deixar o Celta de Vigo, Diego Alves buscou transformar sua experiência de encerramento de carreira em um serviço estruturado. Junto com João Pedro Castilhos, diretor do Osasuna, ele lançou a Nexus, empresa que alia acolhimento e aconselhamento para ex-atletas que enfrentam a mudança de rotina e identidade profissional.

Alves diz ter iniciado a transição ainda no período de recuperação da grave lesão no joelho, quando passou a participar de eventos e ampliar contatos. O ex-goleiro reconhece que dedicou a maior parte da vida ao futebol e que a saída da 'bolha' do clube exige planejamento, aprendizado e criação de nova rotina — aspectos que nem sempre são oferecidos pelo mercado.

A crítica central de Diego é institucional: falta educação e preparo por parte dos clubes para orientar jogadores sobre finanças, formação e possibilidades pós-carreira. A lacuna, segundo ele, deixa atletas vulneráveis a decisões precipitadas — como voltar ao futebol por obrigação — ou a dificuldades para ocupar novos papéis com clareza e competência.

Além do viés pessoal, o movimento tem impacto no setor esportivo: a criação de programas como o da Nexus expõe uma necessidade concreta de atuação mais sistemática por clubes e entidades. Ídolo rubro-negro, com 217 partidas e 11 títulos pelo Flamengo e defesas memoráveis na Europa, Diego usa a própria trajetória para pressionar por soluções práticas na formação além dos gramados.