O Corinthians voltou da Argentina com um 0 a 0 que mantém a disputa aberta nas oitavas da Libertadores, mas a coletiva de Fernando Diniz teve tom mais político do que técnico. O treinador disse ter ficado “triste e decepcionado” com a decisão da diretoria de não renovar o contrato de Memphis Depay e afirmou ter sido surpreendido pela posição do presidente Osmar Stabile, embora o negócio já estivesse muito avançado para o clube técnico.

Diniz ressaltou que Memphis ocupava papel de referência técnica e afetou o ambiente: o jogador, presente por dois anos, criou vínculos com profissionais e atletas, e a saída foi sentida no departamento de futebol. Ainda assim, o técnico procurou transformar a frustração em combustível: elogiou a entrega dos que entraram em campo e disse que a reação do elenco tornou o jogo em Rosário uma exibição de doação.

Sobre a partida, o treinador comparou o desempenho com os recentes jogos da Copa do Brasil e avaliou positivamente o comportamento defensivo no Gigante de Arroyito. Segundo ele, o time soube corrigir erros táticos de partidas anteriores, protegendo melhor o setor defensivo e acelerando a transição quando possível. O empate deixa o Corinthians em posição que exige vitória em casa para avançar às quartas.

A manifestação pública de Diniz expõe, ao menos, desalinhamento entre comissão técnica e diretoria na gestão de peças importantes. Além do impacto imediato no planejamento tático, a discordância pode gerar cobrança da torcida e ampliar questionamentos sobre prioridades no futebol. Antes da volta da Libertadores o clube ainda enfrenta o Cruzeiro pelo Brasileiro, prova de que o calendário não perdoa ajustes administrativos.