Na mesma quarta-feira, chegaram ao fim dois dos trabalhos mais duradouros do futebol brasileiro. Hélio e Guilherme dos Anjos deixaram o Náutico após 526 dias no comando, enquanto Eduardo Baptista encerrou uma passagem de cerca de 503 dias pelo Criciúma para aceitar o convite do Internacional. As decisões pegam os clubes na reta final da Série B e exigem reorganização imediata.
A dupla dos Anjos comandou o Náutico em 66 partidas, com aproveitamento pouco acima de 50%. A saída é atribuída a um processo de desgaste com comissão, elenco e diretoria, agravado pela queda de rendimento. A derrota por 3 a 0 para o Cuiabá deixou o time na 14ª posição, com 38 pontos — oito à frente do primeiro clube na zona de rebaixamento — e a equipe terá de preparar o clássico contra o Sport já sob novo comando.
O caso de Eduardo Baptista teve contornos distintos. Chegou ao Criciúma em maio de 2025, somou 74 jogos e chegou a colocar o time na liderança da competição, mas o rendimento caiu no segundo turno. Após a derrota para o Operário, o treinador optou por aceitar a oferta do Internacional, em movimento que surpreendeu a direção catarinense. O Criciúma já anunciou Umberto Louzer para tentar preservar ambições de acesso.
Ambas as saídas ilustram a volatilidade do calendário e a pressão sobre quem dirige times em fases decisivas. Náutico e Criciúma perdem continuidade técnica justamente quando exigem estabilidade: o primeiro para afastar risco de queda, o segundo para recuperar fôlego na briga pelo acesso. Para os clubes, a tarefa é montar respostas rápidas; para os treinadores, a movimentação reforça o custo político e esportivo de aceitar propostas no fim da temporada.