Após a vitória por 2 a 1 sobre o Vitória, Dorival Júnior voltou a transformar em público uma queixa que já vinha sendo repetida no clube: os três campos do CT da Barra Funda não estariam aptos para a rotina de treinos, e isso teria contribuído para a sequência de lesões vivida pelo elenco. O treinador apontou variações de piso — trechos duros e outros encharcados — que prejudicam aceleração e frenagem dos atletas. No momento, seis jogadores estão no departamento médico do clube.
O incômodo de Dorival não é isolado. Desde 2021 Hernán Crespo havia denunciado problemas estruturais e, naquela passagem, o clube registrou mais de 30 lesões, segundo balanço divulgado à época. Em 2022, Rogério Ceni também fez críticas públicas à organização do CT, gerando atrito interno ao cobrar providências para recuperação e disponibilidade dos atletas. Mais recentemente, a preparação em Cotia teve de ser abreviada depois que a comissão técnica apontou gramados esburacados e instalações que não atendiam às necessidades do grupo.
A repetição das críticas expõe um problema crônico de infraestrutura que extrapola o incômodo técnico: há custo esportivo e financeiro direto. Lesões afetam rendimento, forçam rotações indesejadas e elevam gastos com fisioterapia e reforços. Além disso, reclamações públicas de treinadores — figuras de peso no clube — geram desgaste institucional e cobram respostas da diretoria sobre prioridades de investimento e planejamento de curto prazo.
A alternativa passa por um plano claro de reformas e cronograma de manutenção que minimize riscos aos atletas e evite que a rotina de treinos fique à mercê de improvisos. Sem melhorias palpáveis, o problema tende a persistir como fator de instabilidade no rendimento e como fonte de tensão entre comissão técnica, elenco e gestão.