Edilberto Melo de Oliveira, conhecido como Edil Highlander, é figura quase mítica no futebol do Pará. Aos olhos de quem acompanhou suas décadas de carreira, ele soma apelidos, histórias e uma confiança que beira o mitológico: afirma ter alcançado a marca de mil gols, colocando-se ao lado de nomes consagrados do futebol brasileiro. A declaração reforça sua aura de lenda e alimenta o repertório de causos que o cercam.
A trajetória de Edil se confunde com rivalidades locais. No Paysandu ficou conhecido como 'carrasco' após estrear marcando em clássico e virar pesadelo do Remo; foi o mesmo que entrou em campo com um capuz presente da mãe antes da decisão de 1987 e comemorou garantindo o título no Mangueirão com um gol seu. Quando passou pelo Remo, ganhou o apelido 'Braddock' por celebrações que imitavam combates — em uma partida contra o Tiradentes, chegou a marcar seis gols no 10 a 0, episódio que virou lenda entre torcedores e atletas.
O nome Highlander só apareceu mais tarde, no Cascavel Esporte Clube, depois de uma comemoração em que simulava cortes com uma espada — gesto que virou marca. A espada que hoje fica ao lado dos troféus veio de um amigo e virou símbolo: há até uma marca de roupas ligada ao apelido. Edil diz que o coração é dividido entre Paysandu, Remo e Vasco, e reconhece especial carinho pelo clube carioca, pelo qual atuou entre 1991 e 1992 após chamar a atenção de Antônio Lopes numa eliminatória da Copa do Brasil em que o Remo eliminou o Vasco. Lopes, segundo Edil, via semelhanças com Roberto Dinamite; o atacante lembra nomes como Germano, Bebeto, França, William, Jorge Luis e Geovani entre os colegas.
Além das histórias, Edil mantém postura firme sobre sua própria narrativa: garante que não venderia a bola do suposto milésimo gol nem por R$ 1 milhão. Seja pela marca real ou pelo simbolismo, a trajetória dele revela tanto a dimensão afetiva do futebol regional quanto a construção de um personagem público que ultrapassa estatísticas oficiais. No Pará, o Highlander segue sendo referência — um atacante que mistura troféus, marketing pessoal e lembranças capazes de manter viva a memória do futebol local.