O Real Madrid convoca seus sócios às urnas em um cenário de desgaste esportivo: depois de uma temporada sem títulos, o clube terá pela primeira vez em 20 anos uma disputa efetiva pela presidência. Florentino Pérez, no poder desde 2009 na sua segunda passagem — e que já liderara o clube entre 2000 e 2006 — terá enfrente o empresário Enrique Riquelme, de 37 anos. A presença de um concorrente traduz, por si só, um clima de maior contestação interna.

Riquelme, dono de 75% do Grupo Cox Energy e apelidado de “rei do Sol”, montou uma campanha ambiciosa que inclui promessas de mercado: assegurou ter acordo para contratar Haaland e Rodri, dois jogadores do Manchester City, e fez um compromisso público para tentar dar credibilidade à proposta. A tática remete à estratégia de Pérez em 2000, quando a promessa de contratar Luís Figo foi decisiva na corrida eleitoral e depois cumprida.

As exigências formais para concorrer — aval bancário equivalente a 15% do orçamento do clube (hoje superior a 1 bilhão de euros), além de longa filiação como sócio — reduzem o leque de alternativas e preservam o poder de barganha de quem já domina a estrutura. Ainda assim, o surgimento de uma chapa alternativa expõe fissuras: as críticas à gestão e o apelo por maior participação dos sócios ganham voz no momento em que resultados em campo falham em sustentar a narrativa de sucesso.

No plano político do clube, a disputa não é apenas sobre contratações-estrela, mas sobre controle institucional e visão de futuro. A associação de Riquelme ao círculo do ex-presidente Ramón Calderón tem sido usada por Pérez para questionar a alternativa, enquanto o opositor aposta no argumento de renovação. Para os sócios, a eleição será um termômetro — e, dependendo do resultado, pode alterar o rumo das estratégias esportivas e comerciais nos próximos anos.