Aos 12 minutos do primeiro tempo, Emam Ashour colocou o Egito à frente da Austrália na segunda fase da Copa do Mundo com um cabeceio certeiro no canto direito do goleiro adversário. Hafez cruzou na medida para o camisa 8, que já vinha de gol na estreia contra a Bélgica — partida em que foi eleito o melhor em campo — e passa a ser o artilheiro da seleção na competição.

O gol devolveu ao Egito a vantagem inicial e colocou pressão sobre a seleção australiana em um jogo de andamento tenso. Na prática, a finalização de Ashour reforçou sua importância ofensiva para a equipe no torneio e confirmou que o jogador tem sido uma das referências nas ações de ataque do time africano.

Fora das quatro linhas, porém, o meia traz uma polêmica recente. Há dois anos ele foi preso e julgado por agredir o chefe de segurança de um shopping em Sheikh Zayed, região metropolitana do Cairo. Imagens do episódio mostram uma troca de empurrões no estacionamento e, segundo a Justiça, um homem chegou a ficar no chão. Ashour afirmou tratar‑se de um empurra‑empurra motivado por uma intervenção de segurança após a mulher dele, Yasmine Hafez, relatar assédio a jovens no local.

Aos procuradores apelaram e, em novembro de 2024, ele foi condenado a seis meses de prisão — pena que não chegou a ser cumprida após um acordo financeiro entre o jogador, a vítima e a Procuradoria. No futebol, a carreira de Ashour é majoritariamente doméstica: surgiu no Haras El‑Hodood, ganhou projeção no Zamalek, teve passagem frustrada pelo Midtjylland e acabou repatriado pelo rival Al‑Ahly, onde voltou a conquistar espaço.

O contraste entre rendimento em campo e a exposição fora dele é imediato: enquanto as atuações o mantêm imprescindível para o Egito na Copa, o histórico judicial e as controvérsias continuem a alimentar debate sobre imagem e comportamento público do atleta — sem, por ora, afetar sua presença nas convocações.