A história de Emerse Faé tem contraste que cabe num roteiro curto do futebol: aos 14 anos foi gandula em uma partida de Copa do Mundo, vivendo a rotina de estrelas no túnel; hoje, no banco da Costa do Marfim, chega à sua primeira edição do torneio como treinador depois de ter levado o país ao título africano em 2024.

O episódio adolescencial aconteceu em Nantes, no Stade de la Beaujoire, nas quartas entre Brasil e Dinamarca. Estar tão próximo de jogadores como Roberto Carlos e Cafu ficou na memória do técnico nascido na França e filho de marfinenses — uma lembrança que ele cita como inspiração para seguir no futebol até a transição para a carreira de treinador.

Como jogador, Faé optou pela seleção de suas raízes e participou da Copa de 2006, quando a Costa do Marfim não saiu da fase de grupos. A carreira em campo, porém, foi interrompida precocemente em 2012 por uma flebite recorrente. Após um período fora, ele migrou para a comissão técnica do Nice e ascendeu até assumir interinamente a seleção durante a Copa Africana de Nações, sendo depois efetivado e levando a equipe ao título, com eliminações de Senegal e vitória sobre a Nigéria na final.

O diagnóstico técnico agora é claro: o troféu continental elevou expectativas, mas Faé insiste em pragmatismo — o primeiro objetivo é superar a fase de grupos, algo inédito para a Costa do Marfim. Há símbolos exteriores dessa nova fase, como o uniforme assinado por estilista que viajou com a delegação, mas o teste real será em campo: transformar sucesso continental em rendimento consistente frente a adversários de maior tradição em Mundiais.