O jornal espanhol AS dedicou análise a Endrick depois da eliminação do Brasil na Copa do Mundo, usando o título que traduz o tom: o atacante "semeia a dúvida". A reportagem lembra que ele deixou o torneio sem marcar, não foi titular na estreia e teve um gol anulado contra o Haiti. O episódio mais citado foi o erro diante da Noruega, quando, em lance claro de gol, falhou no domínio após passe de Vinícius Jr. e viu a seleção ser eliminada em seguida.

O texto do AS projeta agora o retorno de Endrick ao Real Madrid, seis meses depois da transferência ao Lyon. O que pesa, segundo a análise, é o papel que José Mourinho terá para o brasileiro na próxima temporada: resta saber se ele voltará como alternativa ou conseguirá disputar posição. Os números do último semestre no Lyon aparecem no perfil: oito gols e oito assistências, enquanto Gonzalo García, opção da casa, somou oito gols e três assistências em 1.471 minutos, perfil que o coloca como concorrente direto.

Do ponto de vista esportivo, a combinação entre desempenho irregular no Mundial e a concorrência interna complica a narrativa de afirmação imediata. Falhas em momentos decisivos tendem a ampliar o ceticismo de comissão técnica e torcida, e a pré-temporada será o teste prático: ali Mourinho e sua equipe avaliarão produção, adaptação tática e confiança. Para Endrick, a saída é óbvia na prática — transformar questionamento em resposta em campo —, mas isso exige consistência desde os primeiros treinamentos.

A reportagem do AS não encerra o capítulo: o atacante tem margem de reação, mas volta ao Real com um rótulo incômodo para quem chega do mercado com expectativa alta. Cabe ao jogador aproveitar a pré-temporada e ao clube decidir se aposta em paciência ou em alternativas locais. Em poucas semanas ficará claro se a falha na Noruega será apenas uma nota de rodapé ou um fator determinante na disputa por minutos no Bernabéu.