Um enviado ligado ao governo de Donald Trump pediu à Fifa que o Irã seja substituído pela Itália na Copa do Mundo, informou o Financial Times. Segundo o jornal, a sugestão partiu do italiano Paolo Zampolli em conversa com o presidente da entidade, Gianni Infantino. Zampolli confirmou ao FT que fez a proposta e justificou o pedido apontando os quatro títulos mundiais da Itália como currículo para a inclusão.

A Itália ficou fora do Mundial após ser eliminada pela Bósnia na repescagem europeia, enquanto o Irã garantiu a vaga pelas Eliminatórias da Ásia em março de 2025. O governo iraniano chegou a anunciar que a seleção não participaria por causa da guerra, mas depois voltou atrás. A federação iraniana também solicitou à Fifa a transferência de suas partidas para o México — pedido que foi negado — e estreia contra a Nova Zelândia em 15 de junho, em Los Angeles.

“Sou italiano e seria um sonho ver a Azzurra em um torneio sediado nos EUA. Com quatro títulos, há currículo suficiente para justificar a inclusão.”

O FT acrescenta que a sugestão de Zampolli faz parte de uma tentativa dos Estados Unidos de reconstruir relações com a primeira‑ministra italiana, Giorgia Meloni, depois de atritos públicos entre ela e Trump. A Fifa disse ao jornal que não comentaria a proposta. Em paralelo, Gianni Infantino afirmou recentemente que o Irã estará na Copa e defendeu que "o esporte deve ficar fora da política", após visita à seleção iraniana na Turquia.

O episódio põe a Fifa no centro de um dilema institucional: pressões diplomáticas por motivos geopolíticos e eleitorais podem conflitar com critérios esportivos e com a imagem de independência da entidade. A sugestão pública de troca de participantes revela até que ponto atores políticos estão dispostos a usar o calendário esportivo para objetivos de política externa — e deixa em evidência o desafio de manter a competição livre de interferências governamentais.