Luís Castro definiu o futebol do Grêmio como uma “desilusão completa” — e a sentença faz sentido. Mas o problema não nasceu no segundo tempo contra o Cruzeiro; é uma tendência dos últimos 10 jogos. Desde o título gaúcho, o time soma apenas duas vitórias e um futebol que não inspira confiança. A derrota por 2 a 0, no Mineirão, colocou em xeque a leitura tática que o treinador insiste em usar.
A opção pelos três volantes, que havia sido defendida após empate no Gre-Nal e vitória sobre o Deportivo Riestra, mostrou-se ineficaz diante de uma equipe com qualidade técnica. Matheus Pereira comandou a partida desde cedo, encontrando espaços apesar da intenção teórica da marcação. O primeiro gol saiu aos cinco minutos da etapa final, assinalado por Christian, e deixou o Grêmio ainda mais exposto.
A alteração só veio aos 12 minutos do segundo tempo, quando Nardoni saiu para a entrada de Monsalve; oito minutos depois, Lucas Romero fechou o placar. O problema não foi apenas a troca tardia, mas a própria estrutura: o trio de volantes isolou Carlos Vinicius, os pontas e laterais não apareceram em aproximação suficiente, e o meio-campo falhou em conectar setores. Mesmo com o time entregue na partida, o goleiro Weverton foi quem mais evitou um resultado ainda mais amplo.
Há sinais individuais promissores — o jovem Gabriel Mec pede passagem como opção de criação —, mas não há certezas táticas. O sistema de três volantes, até aqui, tem servido mais para encobrir do que para resolver dificuldades do Grêmio. Se a tendência de queda persistir, a pressão sobre Castro tende a crescer: o comando técnico precisa recuperar identidade ofensiva e eficiência defensiva, sob risco de ver a confiança da torcida ruir e a janela de correções se fechar.