O estudo encomendado pela CBF à Opta transforma em números uma sensação recorrente: no Brasil se joga pouco e se demora muito. A média de tempo de bola rolando no Brasileirão é de 52 minutos e 54 segundos — inferior às principais ligas europeias — e as partidas brasileiras são também as mais fragmentadas por interrupções.
O problema não é só o total menor de futebol oferecido ao torcedor, mas a forma como esse tempo é diluído. Para registrar seus 52m54s de jogo efetivo, as partidas do Brasileirão precisam durar, em média, 102 minutos e 41 segundos. Nenhuma grande liga europeia registra acréscimos tão longos: o relatório aponta 12m41s de acréscimo médio por jogo no Brasil.
A raiz do problema é essencialmente disciplinar. Reclamações, discussões com arbitragem, intervenções de comissões técnicas e simulações elevam o número de paralisações e reduzem o tempo de bola rolando. Hoje, 26% dos jogos do Campeonato Brasileiro têm menos de 50 minutos de jogo efetivo, enquanto apenas 6,8% ultrapassam a marca de 60 minutos.
O diagnóstico motivou ação conjunta: clubes das Séries A e B e a CBF aprovaram medidas inspiradas nas regras da Copa para coibir cera e antijogo. A mudança busca recuperar o conteúdo esportivo das partidas e reduzir o custo de atenção do público, além de pressionar por uma arbitragem mais firme na aplicação das novas normas.
O recado do relatório é claro para dirigentes e treinadores: sem mudança de conduta dos atletas e de comportamento das comissões técnicas, medidas pontuais de regulamento terão efeito limitado. A adoção das regras é um primeiro passo; o desafio real é transformar práticas enraizadas que empobrecem o produto em campo.