O Atlético-MG sobreviveu à quinta fase da Copa do Brasil, mas a classificação por pênaltis sobre o Ceará coloca mais perguntas do que respostas. O time dependeu de um gol tardio do jovem Pascini e de duas defesas — mais a cobrança decisiva — do goleiro Everson para avançar. Quando a vaga é conquistada apesar de uma atuação ruim, o sinal é claro: há desequilíbrio técnico e tático.

O jogo desandou ainda cedo. Com menos de três minutos, houve pênalti e cartão vermelho que deixaram o Atlético em desvantagem numérica e psicológica. A equipe não conseguiu compactação, sofreu pressão do adversário, viu um gol anulado pelo VAR e cedeu um segundo tento na etapa inicial após uma sequência de falhas na proteção da meta.

Na volta do intervalo, as substituições de Eduardo Domínguez pouco mudaram o panorama. O Ceará manteve o domínio e esteve perto de ampliar; o Atlético parecia entregue até os minutos finais, quando um passe bem construído permitiu o empate de Pascini e levou a decisão para os pênaltis. Nessa hora, a presença de Everson virou fator determinante: duas defesas e a cobrança final deram o triunfo por 4 a 2.

A classificação evita um vexame imediato, mas não resolve problemas estruturais. A dependência do goleiro para consertar erros expõe falhas de organização, respostas táticas e opções de elenco. Domínguez e a diretoria terão de encontrar soluções rápidas: manter o retrospecto em mata-matas pode ser insuficiente se o time não apresentar consistência nas partidas regulares.