A partida entre Vila Nova e Operário-PR, pela quinta rodada da Série B, terminou em confusão e deixou o clube goiano na mira de investigações por acusação de injúria racial. O atacante do Operário, Bertô, disse ter sido chamado de “macaquinho” por um torcedor, episódio que provocou discussão na tribuna do estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA).

O ex‑presidente do Vila Nova, Sebastião Geso Ramos de Oliveira, foi preso em flagrante no desdobramento da briga e liberado após audiência de custódia. Segundo nota do clube, Geso teria sido atingido por um objeto arremessado pelo jogador Jhan Torres, do Operário, e revidado, acertando com uma garrafa o presidente do Operário, Álvaro Góes. Jogadores e membros da comissão adversária também acusaram Geso de gestos com conotação racista.

Em aplicação da Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), o detido ficou proibido de frequentar arenas por três meses e de se aproximar delas num raio de 300 metros. A Polícia Civil instaurou inquérito; após conclusão, o Ministério Público será acionado para manifestação. O Vila Nova informou ter identificado os envolvidos em tempo recorde e suspendeu temporariamente o acesso ao clube de dois torcedores que negam as acusações.

Além do enquadramento criminal, o episódio acende debate sobre a responsabilidade dos clubes na prevenção de manifestações racistas e na segurança das praças esportivas. Para o Vila, a rápida condução à delegacia foi medida de contenção; para as vítimas, o desfecho dependerá agora de provas, depoimentos e do curso do processo judicial, com risco de sanções administrativas e repercussão à imagem do clube.