A 3,2 mil quilômetros de casa, um estudante de 18 anos decidiu transformar um desejo em sacrifício: Pedro Benedicto deixou Ariquemes (RO), pediu demissão no trabalho e vai perder uma semana de provas na faculdade para assistir ao Dallas Cowboys no Maracanã. O deslocamento e os ingressos custaram cerca de R$ 3,5 mil, e a jornada incluiu aproximadamente 14 horas de viagem.
Pedro saiu no domingo à noite e enfrentou sucessivas etapas até chegar ao Rio: cerca de três horas e meia de ônibus até Porto Velho, voo para Guarulhos com quase quatro horas de duração e, depois, ligação aérea até a capital fluminense, onde desembarcou na manhã seguinte. A determinação do jovem expõe a dimensão do evento para torcedores que vieram de longe.
O interesse pela NFL é recente: o primeiro contato aconteceu em 2022, mas foi a final entre Chiefs e 49ers que reavivou a curiosidade dois anos depois. Em 2025 Pedro passou a acompanhar a temporada com regularidade e acabou adotando o Dallas Cowboys, atraído por atuações de jogadores como o kicker Brandon Aubrey e o wide receiver George Pickens. Mesmo com a equipe fora dos playoffs, a escolha se consolidou.
A partida no Maracanã — transmitida por canais esportivos e com cobertura aberta em plataformas digitais — é tratada como marco pela liga e alimenta uma base de fãs que cresce no país. O caso de Pedro ilustra um fenômeno maior: torcedores brasileiros dispostos a investir tempo e recursos para ver partidas da NFL ao vivo, o que tem impacto direto no mercado de eventos esportivos e na estratégia de expansão da liga no Brasil.
No relato que deu à imprensa, o jovem ponderou que não vem de família abastada, mas um conjunto de fatores permitiu que realizasse a viagem. A história resume tanto a força do apelo internacional da NFL quanto os sacrifícios que alguns torcedores aceitam para viver uma experiência única — e sugere que iniciativas como o NFL Rio podem acelerar a consolidação da modalidade entre novos públicos brasileiros.