Em menos de uma década, o novo modelo de gestão dos clubes, batizado de SAF, vem transformando o mapa do futebol em Minas. Uma peça central desse movimento é Fábio Mineiro: ex-atacante com passagem pelas categorias de base do Cruzeiro e autor de gol na Libertadores, hoje empreendedor e investidor. Aos 38 anos, ele participou da transição de quatro agremiações mineiras para o formato empresarial — todas atualmente na primeira divisão do estadual — e agora concentra esforços no Uberlândia.

O caso do Uberlândia exemplifica a velocidade que uma estrutura profissional pode imprimir: o clube conquistou o acesso à Série C já na primeira temporada sob a SAF. A direção comandada por Mineiro projeta um aporte capaz de chegar a R$ 150 milhões para tentar levar o time à Série A, objetivo ambicioso e de longo prazo, com impacto financeiro e esportivo expressivo sobre a cidade e os patrocinadores locais.

O estilo de gestão de Mineiro combina conhecimento de campo — acumulado em passagens por países como Polônia, Bolívia, Chipre, Irã e Coreia do Sul — com atuação direta nas áreas administrativa e financeira. Ele mesmo afirma ter assumido decisões sem esperar por consensos demorados, argumento que explica demissões e contratações rápidas: no Uberlândia, por exemplo, o comando técnico foi trocado três vezes até a escolha considerada ideal.

A concentração de poder e o caráter hands-on trazem resultados claros, mas também riscos. A agilidade para decidir pode sustentar acessos e evitar atrasos salariais, segundo a direção, porém reduz os mecanismos tradicionais de governança e aumenta a exposição a erros de avaliação. Além disso, a necessidade de aportes volumosos torna o sucesso dependente não apenas de acerto esportivo, mas da continuidade do investimento e da relação com torcedores e mercado.

No fim das contas, a trajetória de Mineiro combina legitimidade técnica — o gol na Libertadores e a carreira no exterior — com perfil de gestor intenso e por vezes confrontador com a arquibancada. A experiência recente em Minas demonstra que a SAF entrega velocidade e profissionalização, mas também impõe um novo jogo político e financeiro aos clubes: quem assume o risco privado passa a ditar o tempo das decisões e a colher tanto os resultados quanto os custos.