O duelo entre Vasco e Palmeiras em São Paulo ganha contornos que vão além do campo: trata-se também do encontro de duas trajetórias distintas com a mesma família. Enquanto José Roberto Lamacchia construiu, desde 2015, um vínculo estreito com o Verdão pela via da Crefisa, seu filho Marcos aparece agora como o nome interessado em assumir a SAF vascaína. A movimentação coloca em discussão o alcance político e econômico de grupos privados no futebol brasileiro.
Marcos Faria Lamacchia, herdeiro de uma família com histórico de investimentos e relações no mercado financeiro, assumiu a frente das tratativas no fim do ano passado. Antes, José Roberto já havia tentado negociar a aquisição da SAF no início de 2024, sem fechar negócio com a 777 Partners. Apesar da tentativa frustrada, manteve proximidade com o presidente do Vasco, Pedrinho; hoje ele figura como avalista do novo esforço encabeçado pelo filho.
No Palmeiras, a presidente Leila Pereira — esposa de José Roberto — tem procurado separar publicamente sua atuação no clube das negociações. Em entrevistas, afirmou que não participa do processo e que eventual apoio só seria considerado após o término de seu mandato, para evitar conflito de interesses. Ainda assim, a simultaneidade das relações e a presença de membros da mesma família em polos distintos do futebol alimentam questionamentos sobre governança e transparência.
A aliança entre Crefisa e Palmeiras, iniciada em 2015, foi decisiva para a reestruturação financeira do clube e para o avanço do projeto esportivo. Se a operação com o Vasco avançar, ela poderá redesenhar fluxos de investimento e reacender o debate sobre a influência de grupos econômicos em vários clubes — para o Vasco, uma possível injeção de capital; para o Palmeiras, a necessidade de clareza institucional. Por ora, as tratativas seguem em aberto e o desfecho definirá consequências práticas e simbólicas para ambos os lados.