Em menos de quatro anos, o Volta ao Mundo Bambas (VMB) deixou de ser apenas circuito de eventos e passou a atuar como força estruturante da capoeira competitiva. A criação da Federação de Capoeira Competitiva (FCC) e a instalação de federações em estados e no exterior dão respaldo jurídico e visibilidade inéditos a uma modalidade historicamente marcada pela informalidade.

O movimento liderado pelo diretor-executivo Saverio Scarpati resultou na formação rápida de estruturas — o material-base cita dez federações em estados como Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Distrito Federal, São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Pará — e quatro internacionais (Canadá, Peru, México e Angola). O processo, concluído em cerca de quatro meses em alguns casos, reflete a maturidade organizacional que o VMB construiu desde 2022.

A federação nasce para dar sustentação, organizar e proteger o crescimento que a capoeira vem experimentando.

Atrás da formalização está um conjunto concreto de entregas: calendário definido, critérios técnicos, transmissões com Canal Combate, XSports e Com Brasil TV, premiações que superaram meio milhão de reais e um ambiente que já atrai patrocínio — hoje, cerca de um em cada quatro atletas recebe algum apoio financeiro. Tudo isso amplia o alcance da capoeira e facilita a inserção da modalidade no mercado esportivo e no consumo familiar.

A institucionalização tende a fortalecer trajetórias individuais: atletas ganham representação, caminhos de evolução mais claros e proteção jurídica para contratos e premiações. Ao mesmo tempo, a concentração de funções — com Saverio assumindo presidência no Rio e papel executivo nas demais entidades — levanta questão legítima sobre governança e pluralidade de vozes na construção desse novo padrão.

No balanço político e de mercado, a iniciativa do VMB redesenha o mapa da capoeira sem romper com suas raízes. A principal tarefa à frente é transformar visibilidade em sustentabilidade: regras claras, transparência na gestão das federações e distribuição equitativa de oportunidades serão determinantes para que a profissionalização gere benefícios duradouros aos praticantes.

A ideia é manter a essência da modalidade enquanto criamos critérios e caminhos mais claros para atletas e eventos.