O backhand executado com apenas uma das mãos, ícone da carreira de Roger Federer, está cada vez menos presente no circuito profissional. Em suas observações, o suíço atribui a mudança não a uma questão estética, mas à formação dos jogadores: a maneira como se aprende o golpe tende a refletir o repertório dos técnicos com quem o atleta treina.

Federer também aponta a evolução do esporte como fator decisivo. Mudanças em raquetes, cordas, bolas, superfícies e métodos de preparação alteraram a dinâmica dos pontos: trocas mais intensas do fundo de quadra e bolas que privilegiam mais peso e ritmo tornam a resposta com duas mãos uma opção mais segura e estável diante da pressão do rally.

A consequência prática é que o backhand a uma mão exige hoje um investimento maior de tempo e paciência na formação — atributos nem sempre priorizados nas categorias de base voltadas para resultados rápidos. O golpe conserva valor técnico e estético, mas perdeu protagonismo frente à eficiência que a dupla empunhadura oferece em cenários de alta troca e potência.

Apesar do quadro desfavorável, Federer não crava o fim da técnica. Para ele, ainda há espaço para jogadores que queiram e possam dedicar-se a dominar o movimento. O que muda é o ambiente ao redor: menos treinadores que ensinem a versão tradicional, exigência de adaptação às características modernas do jogo e a necessidade de justificar a opção tecnicamente.