A derrota por 2 a 0 do Internacional diante do Athletico, na Arena da Baixada, teve um episódio que resumiu o clima negativo do time. Aos 14 minutos do segundo tempo, Félix Torres recuou a bola para Viveros, que driblou Anthoni e marcou o segundo gol do Furacão. Dois minutos depois, o auxiliar Esteban Conde promoveu duas trocas: saíram Torres e Matheus Bahia; entraram Bruno Henrique e Aguirre.
A substituição foi acompanhada de reação visível do zagueiro equatoriano. Em imagens da transmissão, Torres abre os braços em sinal de questionamento e, ao deixar o campo, evita cumprimentar o auxiliar Pablo Fernández. Já no banco, arremessou um copo de água ao chão, retirou as chuteiras e permaneceu balançando a cabeça — gestos que não se restringem ao desgaste do resultado e indicam irritação interna.
O primeiro gol do Inter também decorreu de falha: no fim do primeiro tempo, Juninho perdeu a bola para Leozinho, que arrancou e cruzou para abrir o placar. Com os dois lances, a defesa foi diretamente responsabilizada pelos gols sofridos, e o time terminou a noite com a quarta derrota seguida no Brasileirão, sequência que complica a recuperação do clube na tabela e amplia a cobrança sobre a comissão técnica.
Mais que uma cena isolada, a reação de Félix Torres expõe uma necessidade urgente de ajuste coletivo e controle emocional. Cabe ao treinador lidar com a insatisfação interna, corrigir os erros defensivos que vêm se repetindo e restabelecer rotina e confiança antes da próxima rodada, sob risco de a fase ruim se transformar em problema institucional mais amplo.