Cristiano Ronaldo anunciou sua aposentadoria da seleção de Portugal e abriu uma dúvida imediata: quem herdará a histórica camisa 7? A resposta prática é que a homenagem não pode ser formalizada nas competições oficiais — a Fifa exige numeração sequencial para as seleções inscritas, o que impede a retirada de um número específico.

A regra vale apenas nas competições da Fifa e da Uefa, com limite atual de 26 atletas numerados por torneio. A Argentina já esbarrou nesse regulamento ao tentar imortalizar a 10 de Diego Maradona, e a mesma limitação impede qualquer decisão semelhante em relação à 10 de Lionel Messi. Em amistosos, porém, as equipes têm liberdade para escolher números; foi o caso recente em que Jorge Jesus chegou a entregar a 7 a Rafael Leão durante um impasse com Ronaldo — um empréstimo temporário do número mais famoso da seleção.

Quando Ronaldo sair, Portugal vai cair numa escada rolante a grande velocidade

Com a saída do craque, Jorge Jesus terá de definir um novo portador da 7 — seja provisório ou definitivo — nas próximas datas Fifa, quando Portugal enfrenta Dinamarca (14 de novembro) e País de Gales (17) pela Liga das Nações. A escolha terá impacto simbólico dentro do elenco, mas esbarra nos limites estabelecidos para competições oficiais.

Fora de campo, a mudança preocupa patrocinadores e analistas de marketing. Contratos da Federação Portuguesa chegam a 56,8 milhões de euros anuais, com cerca de 20 milhões vindos da Puma, e vigência até 2030, ano do Mundial coorganizado por Espanha, Portugal e Marrocos. Daniel Sá, diretor executivo do IPAM, alertou para o risco de queda nas receitas e apontou alternativas comerciais, como edições especiais que preservem a imagem de Ronaldo mesmo após a saída.