Luis de la Fuente, 65 anos, repete que 'desfruta' os dias de glória na Copa — expressão que resume a postura do técnico diante da pressão do Mundial. O sucesso espanhol, segundo ele, nasce de um trabalho coletivo e de uma aceitação do sofrimento como parte do percurso. As referências são explícitas: o treinador recorre à filosofia do Império Romano e cita pensadores como Marco Aurélio e Julio César para explicar sua maneira de liderar.
Mais do que retórica, as máximas servem como ferramenta de motivação. De La Fuente usa provérbios e imagens clássicas — como a comparação da abelha e da colmeia — para reforçar que não há espaço para individualismos. A linha é prática: escolhas de elenco e convívio fora de campo importam tanto quanto as disposições táticas. O time comprovou a efetividade desse desenho ao vencer a França por 2 a 0 na semifinal e jamais ter ficado atrás no placar no torneio.
Não há sucesso sem sofrimento.
O treinador também delimita o campo das ansiedades: só vale se preocupar com o que pode ser controlado pelo trabalho diário da comissão técnica e pelos atletas. Em coletiva, emocionou-se ao falar da família e insistiu na ideia de aproveitar o momento único, ser fiel às próprias qualidades e explorar tanto os pontos fortes da Espanha quanto as fragilidades do rival. Essa combinação de rigor e leveza aparece como marca da sua gestão.
Do ponto de vista técnico e humano, a aposta nas referências clássicas funciona como metáfora para uma gestão baseada em disciplina, sacrifício e coesão. Até aqui, discurso e resultado convergiram: a seleção se mostrou regular e resiliente. Resta ver se o modelo, centrado no coletivo e na seleção de 'companhos de viagem', resistirá à pressão da final e à próxima fase de renovação do elenco.