A derrota por 2 a 1 para a Espanha nas quartas de final da Copa do Mundo 2026 pode marcar o capítulo final da chamada geração de ouro da Bélgica. Dos jogadores que estrearam em Mundiais em 2014, ainda integravam o elenco Thibaut Courtois, Kevin De Bruyne, Romelu Lukaku e Axel Witsel — veteranos que representam quatro edições seguidas do país na competição.
O jogo reuniu sinais do desgaste que vinha sendo apontado: Courtois, 34, saiu lesionado aos 26 minutos do segundo tempo e deixou o campo chorando; seu substituto, Senne Lammens, acabou dando rebote que permitiu a Merino definir a vitória espanhola. A Espanha, que vinha de um recorde de 648 minutos sem sofrer gols, voltou a ser vazada, mas saiu com o resultado que eliminou a Bélgica.
Em termos de utilização, apenas Courtois foi titular em todas as partidas do torneio. De Bruyne, 35, ficou de fora do confronto das oitavas por opção do técnico e voltou contra a Espanha; Lukaku, o maior artilheiro da seleção com 93 gols, foi titular apenas no empate com o Irã e atuou como opção de banco nas demais partidas, marcando três vezes. Witsel teve aproveitamento reduzido e entrou apenas em momentos finais; todos estarão na faixa dos 37 a 41 anos em 2030, limite que torna improvável sua presença em outro Mundial como protagonistas.
Além do simbolismo individual, a eliminação expõe um problema estrutural: a seleção dependeu por anos de um núcleo envelhecido sem completar a transição para uma nova geração. A Federação Belga terá que acelerar planejamento e dar oportunidades a jovens com sequência de jogo, sob pena de prolongar o vazio competitivo observado desde 2018 — melhor campanha recente, com o terceiro lugar — e repetir saídas precoces como nas Copas de 2014 e 2022.