Flamengo e Fluminense, atuando pela Fla‑Flu Serviços S.A., protocolaram defesa na ação movida pelo Vasco para levar ao Maracanã o jogo contra o Vitória, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Na peça, a concessionária sustenta que a recusa não é arbitrária, mas técnica: uma programação de recuperação do gramado já estaria em curso, impedindo qualquer utilização entre 23 e 29 de agosto — período que inclui a data da partida, 26 de agosto.

Os clubes anexaram laudo e cronograma da empresa Greenleaf, responsável pela manutenção, e lembram que uma avaliação feita em 29 de julho apontou 'elevado nível de desgaste' no campo. Segundo a defesa, o Vasco anunciou inicialmente que atuaria em São Januário e só solicitou oficialmente o Maracanã em 19 de agosto, quando a janela de preservação já havia sido definida, inviabilizando operacionalmente o deslocamento do jogo.

Além do argumento técnico, a Fla‑Flu Serviços questiona o peso jurídico do Memorando de Entendimentos assinado em 2025: o documento, dizem, foi assinado pelos clubes, mas o campo reservado à assinatura da concessionária ficou em branco, o que, na avaliação deles, impede que o instrumento obrigue a gestão do estádio a disponibilizá‑lo. Os diretores também lembram a preparação para o NFL Rio Game em setembro como razão para a programação de manutenção.

O embate abre dois fronts práticos: o calendário esportivo, com risco de mudança de mando ou litígio judicial às vésperas do jogo, e o desgaste institucional entre os clubes que administram o Maracanã e o Vasco. A disputa expõe, na prática, a tensão entre interesses esportivos imediatos e uma agenda técnica de preservação do estádio — decisão que agora ficará a cargo da Justiça.