A noite chuvosa no Rio teve pouco futebol nos primeiros 45 minutos. O clássico confronto sul-americano transformou-se em um duelo físico e travado: marcações cerradas, composições defensivas do Estudiantes e muita catimba que empataram o ritmo do jogo. Quem foi ao Maracanã saiu do intervalo com a sensação de que faltou futebol, não necessariamente superioridade técnica do adversário, mas sim jogo limpo e fluido.

Leonardo Jardim apostou em rodagem de elenco e poupou laterais, pontas e Paquetá na escalação inicial — entrou, por exemplo, Bruno Henrique aberto pela esquerda para explorar o corredor. A tática só não surtiu efeito pleno na etapa inicial: um lance que poderia virar pênalti foi anulado após revisão do VAR, com a interpretação de que o contato ocorreu fora da área, preservando o 0 a 0 ao intervalo.

A mudança de ritmo veio no segundo tempo. Paquetá entrou mais recuado no lugar de Evertton Araújo e Samuel Lino substituiu Luiz Araújo, jogando mais por dentro e liberando corredores. O Flamengo passou a dominar e, aos 19 minutos da etapa final, aproveitou uma saída adiantada do goleiro: Muslera se projetou e deixou espaço em cima, Pedro tocou sobre o zagueiro e finalizou rápido, mesmo sem ângulo, para fazer 1 a 0.

Com o gol, o jogo se abriu e o Flamengo criou chances claras para ampliar — Carrascal parou em Muslera em uma oportunidade cara a cara e depois um voleio de Pedro passou perto. Os números refletem o domínio no segundo tempo: 62% de posse e 13 finalizações (nove na etapa final), contra oito do Estudiantes, sendo apenas uma no alvo. A vitória encerra um jejum de dois jogos sem triunfo (derrota para o Vitória e empate com Athletico-PR), assegura a classificação antecipada e deixa o time em posição favorável para, muito provavelmente, terminar líder do grupo, algo que não ocorre desde 2022. O confronto com o Palmeiras, no sábado, ganha novo peso a partir deste resultado.