Pouco mais de 40 dias após a contratação, Leonardo Jardim chegou ao 11º jogo no comando do Flamengo e saiu do Maracanã com mais um resultado que comprova a evolução tática da equipe: 2 a 0 sobre o Bahia, gols de Arrascaeta e Lucas Paquetá. A vitória, a terceira seguida em rodada, teve o Rubro-Negro no controle quase absoluto e contou com Léo Vieira evitando um placar mais elástico.
O que se vê em campo é um desenho claro de ocupação dos lados, com laterais em amplitude e circulações que aproximam Samuel Lino, Plata, Arrascaeta e Pedro. Paquetá, escalado como volante ao lado de Evertton Araújo, passou a função de articular e achegar passes para a última linha, enquanto Léo Ortiz ajudou a dar precisão nas transições. A pressão coordenada na saída do Bahia e o movimento ofensivo do time resultaram em peças intercambiáveis e em constantes mudanças de posição.
O Bahia tentou reagir, principalmente no início do segundo tempo, quando a compressão rubro-negra diminuiu e o adversário conseguiu mais posse. Ainda assim, faltou criatividade à equipe baiana para transformar superioridade momentânea em perigo real — e o time segue entre os cinco melhores do campeonato. Rogério Ceni fez alterações buscando jogo mais vertical, sem alterar o domínio do mando flamenguista.
A leitura política do jogo é simples: Jardim já começa a deixar marca ao impor um padrão ofensivo e coletivo, mas há pontos a ajustar. O Flamengo criou chances claras no segundo tempo e não as converteu, além de ceder espaços quando o bloco recuou. Para transformar domínio em trajetória consistente no Brasileirão, será necessário manter intensidade os 90 minutos e melhorar a letalidade nas oportunidades criadas.