O amistoso contra o River Plate deixou um retrato claro do Flamengo em intertemporada: aparente superioridade no primeiro tempo, quando Bruno Henrique abriu o placar e chegou a acertar a trave, e perda de ritmo na etapa final que permitiu o empate. Lino foi o principal destaque do Rubro-Negro — marcou e deu assistência — e se tornou a referência ofensiva num jogo com várias ausências e testes de elenco.

O segundo tempo expôs problemas que precisam ser corrigidos antes do início da temporada: a defesa foi insegura em diferentes momentos. Vitão, aproveitado pelas ausências na zaga, teve ritmo mais lento, a lateral esquerda ficou vulnerável e um jogador que retorna de lesão não conseguiu acompanhar a marcação no lance do segundo gol. A soma de desentrosamento e falta de regularidade gerou espaços que o River aproveitou.

No meio-campo houve oscilações e baixo aproveitamento ofensivo após as mudanças. Jorginho, que vinha bem, cometeu um erro importante antes de sair e não teve papel decisivo; outras trocas desconstruíram o entrosamento que havia sido construído no primeiro tempo. Apesar de chances individuais — inclusive uma tentativa acrobática que quase foi golaço —, o time não sustentou a pressão e perdeu fluidez.

O amistoso serviu para duas leituras: Lino reafirma-se como alternativa ofensiva imediata e há peças com potencial, mas a equipe claramente carece de ritmo coletivo e conserto defensivo. Com vários jogadores em processo de recuperação ou fora por convocações, o desafio é converter este exercício em soluções práticas, sob pena de o desgaste aparecer em jogos oficiais.