Leonardo Jardim escalou 19 jogadores diferentes como titulares em três partidas da semana — um recado claro sobre a estratégia do Flamengo para enfrentar um calendário que mistura Copa do Brasil, torneios continentais e Campeonato Brasileiro. A rotação não é aleatória: tem objetivo físico e tático, e busca preservar o rendimento durante uma sequência extenuante de confrontos.

O argumento do treinador ganha força quando se olha para a logística: entre a saída para Belo Horizonte e a viagem a Curitiba, o clube percorrerá 20.209,70 km em 22 dias. Diante dessa maratona, a opção foi priorizar partidas e poupar titulares em duelos de menor prioridade, usando alternativas do elenco para manter o ritmo de competição sem sobrecarregar o grupo.

Jardim e a diretoria já vinham traçando a necessidade de ter, por posição, pelo menos duas opções de nível. O treinador ressaltou que o time não é jovem e que contraturas e desgaste de atletas mais experientes exigem gestão cuidadosa de minutos. Até agora, apenas o goleiro Andrew não foi aproveitado pelo técnico na temporada.

A tática reduz risco imediato de lesões, mas cria tensão sobre entrosamento e competitividade: rodar demais pode comprometer consistência, e a dependência de veteranos torna urgente a agenda de rejuvenescer o plantel. Com a janela de transferências pela frente, a diretoria terá de transformar essa proteção em reforços que mantenham o nível exigido pelo clube.