O placar de 2 a 0 sobre o Bahia no Maracanã não conta toda a amplitude do jogo: o Flamengo foi superior do início ao fim, criou 19 finalizações e nove chances reais (dez, segundo alguns registros), e só não ampliou a diferença por falta de pontaria e por boas intervenções do goleiro Léo Vieira. Nas redes sociais do adversário, torcedores chamaram a noite de "goleada moral" — uma definição justa diante do volume rubro-negro.
Logo aos cinco minutos Lino teve a melhor chance inicial após passe de Pedro, e aos 16 veio a abertura do placar em combinação entre Pedro e Arrascaeta — o centroavante driblou o goleiro, ficou sem ângulo e rolou para o meia concluir. Três minutos depois Pedro teve chance de cabeça, sem direção. Na volta do intervalo, Arrascaeta ainda levou perigo em sequência: um chute defendido, outro para fora e uma cabeçada na trave. Pedro também teve oportunidades notáveis, incluindo uma tentativa de longe que Léo Vieira desviou e um lance de letra que saiu por pouco.
O segundo gol só saiu após insistência: aos 34 do segundo tempo, em cobrança ensaiada de escanteio, Paquetá finalizou com precisão para encerrar a resistência do Bahia. A partida serviu, sobretudo, para confirmar a leitura de Leonardo Jardim: pela primeira vez em 11 jogos ele repetiu a escalação e encontrou um equilíbrio que deu fluidez ao meio com Paquetá e Arrascaeta, e profundidade pelas pontas com Plata e Lino.
Ainda há sinais a ajustar. A produção ofensiva é clara, mas a eficácia nas conclusões precisa ser corrigida — e o treinador terá uma decisão a tomar quando Pulgar e Jorginho, hoje no departamento médico, voltarem ao elenco titular. Em termos práticos, o resultado alimenta confiança e projeta o Flamengo como força ofensiva do Brasileirão, mas a falta de capricho nas finalizações mantém uma margem de interrogação sobre até onde esse desempenho pode levá‑los.