O Flamengo cumpriu o dever de casa e fechou a fase de grupos da Libertadores com uma vitória tranquila sobre o Cusco por 3 a 0, no Maracanã. Apesar do placar elástico, a leitura do jogo deixa duas impressões claras: a equipe só resolveu a partida em um período de 10 minutos após as mudanças e houve falta de senso de urgência no restante do tempo. A vitória, somada ao saldo de gols, deixa o clube perto da liderança geral da primeira fase, mas não apaga as arestas do desempenho.
Leonardo Jardim escalou nove reservas, estratégia relacionada ao confronto contra o Coritiba no fim de semana e à necessidade de lidar com convocações para a Copa. A combinação de Evertton Araújo, Saúl e De la Cruz no meio resultou em menor criatividade, ainda que o adversário peruano tenha contribuído com passividade. O goleiro reserva Andrew foi acionado — fez boa defesa em chute rasteiro de Nicolás Silva aos 43 do primeiro tempo — e evitou maiores problemas num período em que o titular Rossi segue sob questionamento.
O jogo mudou quando Jardim acionou Paquetá, Samuel Lino e Pedro: a equipe ganhou ritmo, verticalidade e velocidade. Paquetá esticou as jogadas, Lino e Plata aceleraram as ações pelos flancos e Bruno Henrique passou a ocupar com mais efetividade a área. Em dez minutos decisivos o time marcou duas vezes com Bruno Henrique e converteu pênalti com Paquetá. Mesmo assim, o ataque continuou a desperdicar chances claras — erros de Royal, Pedro e Lino mantiveram a impressão de produtividade abaixo do potencial.
O saldo é misto: a vitória e a testagem de peças que serão úteis no elenco trazem alento; o fato de depender da “cavalaria” para destravar o jogo e o desperdício de oportunidades acendem um sinal de atenção antes do duelo com o Coritiba, quando Jardim terá limitações por causa das convocações. A equipe saiu bem no resultado, mas precisará ajustar urgência e consistência, sobretudo sem alguns de seus principais influenciadores.