O Flamengo decidiu retomar uma política de contratações baseada em 'scout' ao anunciar Joaquín Freitas e Anthony Valencia. A mudança reforça a orientação do técnico Leonardo Jardim por perfis específicos — jovens, com potencial de valorização e capacidade para rejuvenescer o elenco — e foi impulsionada pela atuação do diretor José Boto. Ambos os jogadores demonstraram vontade explícita de vestir a camisa rubro‑negra, o que agilizou as tratativas.

A contratação de Freitas pelo River Plate teve capítulos tensos: o Flamengo informa pagamento em torno de 7 milhões de dólares fixos mais até 2 milhões em variáveis por 80% dos direitos; o River divulgou cifra de 15 milhões de dólares. Boto chegou a comparar o atacante a Lautaro Martínez na argumentação interna e bancou o negócio. A discrepância nas cifras amplia questionamentos sobre o custo real da operação e sobre a comunicação da diretoria.

Anthony Valencia vem do Royal Antwerp por cerca de 5 milhões de euros e é apontado como substituto de Plata, negociado com o Dínamo Moscou. Revelado pelo Independiente del Valle, o equatoriano de 23 anos chegou a ser convocado para a Copa do Mundo de 2026, sem, porém, atuar. Relatos sobre desgaste físico desde a sua chegada ao futebol europeu acendem um sinal de atenção para o departamento médico e para a gestão de tempo de jogo.

O movimento indica correção de rota após novelas por Thiago Almada e Luiz Henrique e tentativa de controlar gastos, formando ativos com possibilidade de revenda. Ainda assim, operações com números controvertidos e o risco físico de um dos reforços impõem pressão imediata: o Flamengo terá de equilibrar ambição esportiva e disciplina financeira e cobrar retorno em campo para justificar as apostas.