O Flamengo fechou a intertemporada sem derrotas ao bater o Olimpia por 4 a 2 no Mané Garrincha. Mais do que o resultado, Leonardo Jardim realçou o caráter do teste: enfrentar um adversário intenso e agressivo serviu para avaliar o controle emocional do grupo e trabalhar situações que deverão aparecer contra equipes com linhas mais baixas.
O jovem Lorran, de 20 anos, foi um dos pontos positivos. Escalado aberto pela meia direita, recebeu uma orientação tática nos primeiros minutos, ajustou posicionamento e terminou a partida com gol — um sinal de evolução que o técnico classificou como parte do planejamento de formação, sem, contudo, projetá‑lo como substituto direto de jogadores como Arrascaeta ou Paquetá.
O tom do vestiário, porém, é de alerta. Jardim manifestou preocupação com o elevado número de desfalques: além de lesões mais graves sofridas por atletas que estiveram com seleção, citou casos recentes — Plata em condição precária e um problema detectado nas análises de força do Nico De la Cruz — e admitiu que outros atletas apresentaram incômodos ainda sem diagnóstico. A consequência imediata é a necessidade de recorrer à base e aceitar um período de readaptação para quem volta do departamento médico.
A reta reinicia na quarta, contra a Chapecoense, pelo Brasileirão (19ª rodada), e o Fla chega como vice‑líder com 34 pontos e um jogo a menos em relação ao líder. A temporada também prevê a volta pela Libertadores em 12 de agosto, contra o Cruzeiro. Em resumo: a vitória em Brasília dá fôlego, mas não resolve a fragilidade do elenco nem reduz a pressão sobre Jardim para equilibrar recuperação física, desempenho imediato e a integração dos jovens.