O Flamengo perdeu a chance de encurtar a distância para a liderança ao ser derrotado por 3 a 0 pelo Palmeiras, no Maracanã. A expulsão de Carrascal, aos 20 minutos, foi o divisor de águas do jogo: até então o time carioca comandava as ações e criou as melhores oportunidades em 11 contra 11, mas a desvantagem numérica condicionou toda a sequência da partida.

Não há como transferir a responsabilidade para a arbitragem: o lance de Carrascal foi violento e evitável, um pé alto que acertou o rosto de Murilo e deixou o Flamengo com um desafio tático imediato. Leonardo Jardim optou por manter a equipe ofensiva em duas linhas de quatro, decisão defensável do ponto de vista esportivo — tentar os três pontos com o apoio de mais de 71 mil torcedores era compreensível —, mas a equipe acabou pagando caro pela sobrecarga física e pelo espaço cedido ao rival.

No segundo tempo o desgaste apareceu. O Flamengo chegou a ter 19 finalizações, mas faltou eficácia nas chances mais claras e segurança nas transições: erros individuais de marcação permitiram contra-ataques perigosos do Palmeiras, que matou o jogo em jogadas com Allan e Paulinho. A saída de Samuel Lino, que vinha sendo o mais criativo, e a insistência em não começar com Plata — segundo a comissão técnica por questões físicas — também foram pontos que influenciaram o rendimento ofensivo.

Além do resultado em si, a derrota amplia o custo político e esportivo do revés: o Palmeiras abriu sete pontos com um jogo a mais e o Flamengo volta à estaca zero na briga pelo título. Resta ao clube recuperar a confiança e corrigir falhas defensivas antes da pausa para a Copa do Mundo; na próxima rodada o time recebe o Coritiba no Maracanã, enquanto o rival tem confronto aparentemente mais favorável contra a Chapecoense.