Marcão alcançou resultados imediatos ao manter o Fluminense na disputa pelo G-4 e levar o clube à semifinal da Libertadores. Ainda assim, a equipe apresenta oscilações que passam, sobretudo, pelo setor de meio-campo. A derrota por 2 a 1 para o Platense, na Argentina, evidenciou problemas na saída de bola e na proteção da defesa, com Hércules e Martinelli pressionados ao longo da partida — situação que colocou a vaga em risco depois da vantagem construída no Maracanã.

O técnico tem uma limitação objetiva de elenco: a falta de opções para a cabeça de área. Com Nonato suspenso, Otávio aparecia como única alternativa no banco, e só entrou apenas nos acréscimos contra o Platense. Com a janela internacional fechada, o clube não pode trazer reforços e precisa recorrer a improvisações ou à promoção de jovens. Ruan Sales, de 18 anos, já tem sido relacionado, mas a transição ao time profissional é acompanhada com cautela pela comissão técnica.

Na criação, Ganso virou referência desde que Marcão assumiu, mas a idade e o desgaste físico do camisa 10 exigem uso criterioso. As alternativas imediatas, Lucho Acosta e Savarino, atravessam um momento ruim e não retomaram o impacto que tiveram no primeiro semestre — queda atribuída a problemas físicos e à perda de confiança após o retorno. A convocação de Martinelli por Ancelotti para amistosos (Índia e Austrália) retira mais uma opção de nível para o confronto direto com o Palmeiras.

O calendário dá a Marcão a Data Fifa para trabalhar a recomposição do meio-campo: o duelo contra o Corinthians, no domingo, será o último teste antes da pausa de 16 dias. A decisão da Libertadores exigirá, porém, mais do que ajustes: pede profundidade e alternativas táticas. Sem reforços, o Fluminense corre o risco de ver o desgaste físico e a limitação de peças complicarem a estratégia contra um adversário com alto poder de pressão no meio. Cabe à comissão técnica encontrar como poupar Ganso, revitalizar Lucho e Savarino ou acelerar a integração de jovens sem perder competitividade.