A opção do Fluminense de priorizar a Libertadores acabou cobrando preço no Campeonato Brasileiro e colocou o clube sob sinal de alerta na briga por vaga na edição de 2027. A direção segue na defesa da estratégia — o presidente chegou a afirmar: "Vamos estar na Libertadores 2027" —, mas os números explicam a apreensão: em sete dos 12 jogos que antecederam compromissos continentais, o time foi poupado.

O saldo dessas escolhas foi ruim no Brasileirão: cinco derrotas e dois empates nas partidas em que o elenco principal foi preservado — foram 19 pontos deixados em 21 disputados. A discrepância é nítida frente ao líder Flamengo: 70 pontos contra 51 do Fluminense até a 32ª rodada. Nos outros cinco duelos em que o clube escalou força máxima, vieram quatro vitórias e uma derrota.

Vamos estar na Libertadores 2027

Além do aspecto tático e fisiológico invocado pela comissão (risco de lesões, viagens e desgaste), a priorização não se traduziu em desempenho expressivo na própria Libertadores: o time chegou à semifinal com a pior campanha do torneio. Com seis rodadas restantes — três no Maracanã (Inter, Mirassol e Cruzeiro) e três fora (Vitória, São Paulo e Bragantino) —, o Flu precisa somar cerca de 14 dos 18 pontos para alcançar 65, marca que praticamente assegura a vaga direta.

A escolha entre persistir na estratégia de foco continental ou recuperar terreno no Brasileirão tem consequências concretas: além do prestígio esportivo, a presença na Libertadores afeta calendário, receitas e capacidade de planejar 2027. Como observa o analista Cauê Rademaker, "Temo essa reta final", e a necessidade de ajustes táticos também foi lembrada: "Fluminense precisa de variação tática", diz Phill. A direção e a comissão técnica terão de mostrar neste fim de temporada se a opção por priorizar copas foi um cálculo válido ou um custo que o clube pagará nas próximas temporadas.