A cada gol de Lionel Messi na Copa de 2026 a imprensa reabre um capítulo antigo: a marca de 13 gols estabelecida por Just Fontaine na Suécia, em 1958. Após a escolha do argentino como melhor jogador da primeira fase, o assunto ganhou manchetes e até capa do jornal francês L'Équipe, que debate se Messi, Mbappé ou Haaland teriam fôlego para superar um feito que dura gerações.

Fontaine construiu o recorde em apenas seis partidas: três gols contra o Paraguai, dois diante da Iugoslávia, o tento da vitória sobre a Escócia, mais dois contra a Irlanda do Norte, um contra o Brasil e quatro no jogo do terceiro lugar contra a Alemanha Ocidental. A trajetória que culminou na artilharia teve episódios curiosos, como a chuteira rasgada na véspera da estreia e a ajuda de um colega emprestando o calçado.

O caráter extraordinário do recorde fica claro quando se observa que Fontaine jogou apenas um Mundial. Entre 1953 e 1960, marcou 30 gols em 21 partidas pela França e integrou uma geração forte, ao lado de Raymond Kopa e Roger Piantoni. Na lista histórica de goleadores da Copa, nomes como Messi (19), Klose e Mbappé (16), Ronaldo (15) e Gerd Müller (14) aparecem à frente, mas nenhum repetiu os 13 gols em uma única edição.

Mais do que uma estatística, a marca de Fontaine virou símbolo: alimenta orgulho nacional na França e serve de referência para medir a dimensão da campanha individual em um torneio curto e de alta pressão. Se o recorde for ameaçado em 2026, será tanto uma guinada na narrativa pessoal de Messi quanto um novo capítulo que reativa a memória daquela seleção de 1958.