Entre mais de 15 mil pessoas na quadra Philippe Chatrier, o carioca Felipe Figueiredo viveu a tarefa de captar o que viria a ser uma virada histórica: João Fonseca, 19 anos e 30º do mundo, reverteu dois sets de desvantagem e eliminou Novak Djokovic após quase cinco horas de jogo em Roland Garros. Para Figueiredo, transformar a intensidade do confronto em imagens foi ao mesmo tempo profissional e profundamente pessoal.
Há cerca de dois anos dedicado à fotografia de tênis, o profissional percorre o circuito — passou por Madrid e Roma, onde registrou Beatriz Haddad Maia — e em Paris acompanhou também atletas como Luisa Stefani e Aryna Sabalenka. Ainda assim, afirma que os registros do duelo contra Djokovic estão entre os mais marcantes de sua trajetória e reforçam o desejo de um dia documentar um título brasileiro em Grand Slam, feito que não ocorre desde Gustavo Kuerten em 2001.
A união entre a condição de torcedor e de fotógrafo se refletiu em escolhas práticas: por limitações a influenciadores, Figueiredo se filmou com o celular no match point enquanto fotografava, e a publicação alcançou repercussão — cerca de 190 mil curtidas e 2 mil comentários. Ele descreve foco total nos pontos decisivos, atenção às reações de atletas e a tentativa de transmitir a vibração da quadra por meio das imagens.
Além do registro emotivo, o resultado coloca Fonseca em posição de maior projeção para o circuito e dá ao público brasileiro um novo momento de esperança no saibro parisiense. Para a cobertura esportiva, as fotos de Figueiredo atuam como documento de uma noite que misturou dramaticidade competitiva e narrativa simbólica para o tênis do país.