A Fox Sports, em parceria com o site de vagas Indeed, transformou em serviço remunerado algo que muitos considerariam um sonho: assistir a todas as 104 partidas da Copa do Mundo 2026. Pelo trabalho anunciado como "chefe de observação da Copa do Mundo", os contratados receberam o equivalente a US$ 64 mil (cerca de R$ 323 mil) para acompanhar os jogos por 39 dias em um estúdio montado na Times Square, com televisores 4K, poltronas, lanches e espaço para receber convidados.

Os escolhidos foram os norte-americanos Austin Franklin e Kevin Akoto, criadores de conteúdo com forte presença no TikTok. As inscrições para a vaga ocorreram entre 5 e 17 de maio, com envio de vídeos e comprovação de experiência em criação de conteúdo via Indeed; os vencedores foram anunciados em 8 de junho. A Fox havia previsto originalmente selecionar apenas um profissional, mas acabou optando por contratar dois, segundo Brian Borkowski, diretor de marketing direto ao consumidor da emissora.

A iniciativa é claramente uma ação de marketing: além de gerar imagem para a emissora em plena Times Square, aposta no alcance dos influenciadores para movimentar redes sociais durante o torneio. Resta observar o cálculo de custo-benefício — a soma paga aos dois profissionais e a infraestrutura montada será justificada somente se o retorno em audiência e engajamento digital compensar o investimento. Trata-se de mais um exemplo de como o esporte se articula com a economia da atenção.

Para o público, a ação tem apelo curioso e de entretenimento; para o mercado, sinaliza que emissoras seguem dispostas a transformar cobertura em espetáculo e a usar nomes digitais para ampliar audiência. A estratégia ilustra também a profissionalização do fã e a tendência de mesclar transmissão tradicional com formatos de influência para tentar capturar participação do público jovem.