Gabriel Barbosa reapareceu como referência ofensiva do Santos nas últimas partidas: em três jogos em que entrou em campo anotou três gols e deu duas assistências. O bom momento, porém, convive com um revés direto: o atacante desperdiçou uma cobrança na disputa de pênaltis que culminou na eliminação santista na Copa Sul-Americana — um desfecho que Ana Canhedo definiu como catástrofe financeira e esportiva para o clube.
A recuperação tem peso maior por ter vindo após um segundo semestre irregular: Gabigol havia marcado apenas três vezes em um período de dez jogos e acumulado chances perdidas. A melhora incluiu atuação decisiva na vitória por 3 a 2 sobre o Internacional — com dois gols do camisa 9 — que quebrou um jejum de 18 anos sem vitórias do Santos na Arena Beira-Rio.
Na Copa Sul-Americana, o atacante mostrou influência direta em ambos os confrontos com o Atlético-MG. No jogo de ida fez duas assistências para Willian Arão e Christian Oliva na vitória por 2 a 0; no retorno à Arena MRV marcou um gol em derrota por 4 a 2 e acabou sendo um dos batedores na sequência que terminou 3 a 1 para o Atlético nos pênaltis.
O período de protagonismo coincidiu com a ausência de Neymar, lesionado (lesão muscular tipo 2B no reto femoral da coxa direita). Na temporada, Gabigol já disputou 41 partidas, marcou 20 gols e distribuiu nove assistências — números que o colocam perto de igualar Marcos Leonardo (21 gols em 2022 e 2023) e que o mantêm como um dos artilheiros históricos do Brasileiro: com 129 gols, divide o sétimo lugar com Túlio Maravilha, a um gol de Diego Souza (6º) e seis de Zico (5º).
O cenário é dúbio para o Santos: a retomada de Gabigol alivia a situação imediata, mas a eliminação continental evidencia dependência em um único homem e a vulnerabilidade financeira apontada por especialistas. Com o calendário apertado e a necessidade de recuperação no Brasileiro, o clube terá de decidir se reforça elenco ou passa a conviver com a oscilação da forma individual como risco permanente.