A iniciativa batizada de 'Galeitura' transformou as redes sociais do Atlético-MG num espaço inesperado de circulação de ideias: indicações de leitura feitas por Gustavo Scarpa passaram a reunir torcedores e, segundo o próprio jogador, chegaram a influenciar vendas online — o romance de Liev Tolstói recomendado por ele figurou entre os mais procurados na Amazon. No vestiário, o hábito se espalhou: companheiros comentam leituras e trocam sugestões, criando um ambiente cultural pouco comum dentro do cotidiano do clube.

Scarpa conta que o interesse por livros foi um processo: começou em 2018 e se intensificou no ano seguinte. Relata que presentes e conversas com pessoas de formação diversa o levaram a incorporar a leitura como rotina. A partir daí, as publicações em vídeo com resenhas e comentários pessoais passaram a ter grande alcance. Ao apresentar obras densas com linguagem acessível, o jogador quebrou a ideia de que certos títulos seriam apenas para um público acadêmico, atraindo seguidores que se identificam com uma apresentação mais informal.

O efeito é duplo: além de alterar a pauta nas redes do clube, a movimentação indica potenciais desdobramentos para a relação entre torcida e jogador. A 'Galeitura' reforça a marca pessoal de Scarpa e projeta uma imagem do Atlético-MG como espaço onde a vida além do campo também importa, um ativo cultural que pode interessar a editores, patrocinadores e à própria comunicação do clube. No âmbito interno, a adoção do hábito por atletas mostra como influência individual pode gerar mudança de comportamento coletiva.

A repercussão também traz desafios: transformar engajamento em projeto sustentável exige organização e cuidado para não reduzir a iniciativa a um modismo passageiro. Scarpa procura, porém, manter a proposta simples e acessível — ele produz resumos e comentários na sua própria linguagem, o que ajuda a demistificar obras mais complexas e amplia o alcance entre torcedores. Seja por identificação ou curiosidade, a 'Galeitura' já virou exemplo de como figuras do esporte podem ampliar seu papel cultural sem perder a conexão com a massa.