Neymar deixou a Vila Belmiro com as mãos nos dois ouvidos ao sair de campo após a derrota do Santos por 3 a 2 para o Fluminense. O gesto, interpretado por parte da torcida como resposta às vaias, virou foco de discussão nas arquibancadas e nas redes sociais. Em publicação posterior, o jogador rebateu críticas e afirmou que apenas coçava o ouvido, em tom agravado contra quem interpretou a cena de outra forma.
O episódio se soma a uma sequência tensa no clube: há poucos dias Neymar se desentendeu com torcedores após empate com o Recoleta, pela Sul-Americana, e integrantes de uma organizada entraram no CT Rei Pelé para cobrar comissão técnica e elenco. Na Vila, o camisa 10 teve atuação discreta e perdeu chance clara quando o placar estava 2 a 2 — e o Santos, que chegou a ficar à frente duas vezes, acabou vazado por um gol de John Kennedy aos 40 minutos.
Além do constrangimento das cenas, o resultado aprofunda o momento instável do time: estacionado na 15ª posição com 13 pontos, o Santos se mantém próximo da zona de rebaixamento e vê crescer a cobrança sobre jogadores e comissão. A reação pública de Neymar alimenta dúvidas sobre ambiente interno e acrescenta pressão sobre a diretoria para adotar medidas que contenham desgaste dentro e fora do gramado.
Num clube com histórico de paciência curta das arquibancadas, a combinação entre desempenho irregular e episódios de confronto testa a capacidade de reação do elenco. Mais do que explicações nas redes, o Santos precisa de respostas em campo para recuperar confiança da torcida e evitar que a crise repercuta em custo esportivo e institucional.