Gana e Panamá foram para o intervalo em 0 a 0 quando veio a primeira substituição de goleiro desta Copa do Mundo: Ati Zigi deixou o campo com incômodo na virilha e deu lugar a Benjamin Asare. A entrada, logo na primeira rodada, colocou o jogador de 33 anos — único entre os 26 convocados que atua no campeonato doméstico — sob os holofotes no torneio.
Asare, do Hearts of Oak, conquistou espaço no grupo nacional ao se destacar no campeonato local e soma agora 13 partidas pela seleção. Na disputa pela vaga, superou colegas do próprio clube como Solomon Agbasi e ainda Paul Reverson (Ajax). O técnico Carlos Queiroz levou cinco goleiros para os treinamentos no País de Gales e optou por três para o Mundial, entre os quais Asare foi escalado para entrar contra o Panamá.
A trajetória do goleiro ganhou manchetes curiosas antes mesmo da estreia: viralizou ao ser flagrado indo a uma partida em ônibus público — gesto que resultou em um empresário-torcedor presenteando-o com um carro, em maio do ano passado. Outra cena que chamou atenção ocorreu no clássico contra o Asante Kotoko, em fevereiro, quando foi eleito melhor em campo e recebeu como prêmio um ferro de passar roupas e um umidificador.
Se Zigi não tiver condições de jogo, Asare tem grandes chances de seguir como titular: Gana encara a Inglaterra, na próxima terça-feira, em Boston, e fecha o Grupo L diante da Croácia, dia 27 na Filadélfia. Além do caráter folclórico das premiações locais, a ascensão de Asare aponta para um cenário em que talentos da liga doméstica podem assumir papéis decisivos em palcos internacionais.