A sequência recente de Atlético-MG e Cruzeiro acabou dando visibilidade a duas promessas da posição: Gabriel Delfim, de 24 anos, e Otávio, de 20. Ambos foram impulsionados por problemas físicos dos titulares — Everson, no Galo, e Cássio, na Raposa — e responderam com atuações que forçaram os treinadores a repensar a volta imediata dos experientes.
No Atlético, Everson, 36 anos, conviveu com uma fratura no pé esquerdo após choque com Bruno Rodrigues na ida das quartas da Copa do Brasil, mas chegou a jogar no sacrifício. Enquanto isso, Delfim aproveitou oportunidades: antes do confronto com o Vitória havia atuado apenas no empate contra o North Esporte pelo Mineiro, e saltou ao protagonismo ao defender três pênaltis contra o Santos nas quartas da Sul-Americana. Em 13 jogos pelo Galo em 2026, sofreu 17 gols e ganhou a confiança da torcida; tem contrato até 2029.
No Cruzeiro, o processo foi similar: Cássio, 39, vinha como titular desde meados de 2024, mas uma lesão grave no joelho em março abriu espaço. Matheus Cunha assumiu por 10 jogos sem firmar a posição e deu à vez ao jovem Otávio. Revelado no sub-20 e testado por Tite no Mineiro, ele passou a ser escalado por Artur Jorge desde a Copa do Brasil contra o Goiás e manteve a vaga em partidas de alto nível — Bombonera, Maracanã e clássicos locais. São 34 jogos com a camisa celeste até agora, convocação à Seleção e renovação de contrato até 2031.
O efeito prático para os clubes é duplo: a rotina diária e a escalação ganham alternativas seguras e econômicas, reduzindo a pressão para forçar o retorno dos titulares; por outro lado, o surgimento dos jovens cria um dilema técnico e possível valorização no mercado — já há sondagens citadas sobre Otávio — que dirigentes e comissões precisam administrar sem precipitação. A aposta em jovens goleiros pode se transformar em solução esportiva e ativo financeiro, mas também exige gestão cuidadosa da transição entre experiência e juventude.