A eliminação do Grêmio para o Bolívar, com derrota por 1 a 0 na Arena, não é apenas um tropeço isolado: é a expressão mais visível de um trabalho que perdeu sustentação. Classificar-se diante de um adversário como o boliviano deveria ser obrigação; o time teve 31 finalizações no jogo, mas eficiência e controle foram insuficientes e a torcida devolveu a cobrança em forma de vaias.
A opção tática de começar com três volantes e mantê-los após o primeiro gol do Bolívar aos 15 minutos do primeiro tempo transformou-se num erro estratégico. O time precisava de gols e não de espera. No agregado das duas partidas dos playoffs, o Grêmio sofreu quatro gols e mostrou menos objetividade ofensiva do que se exigia numa situação de vida ou eliminação.
Além de falhas coletivas, houve desempenho abaixo do esperado em nomes que deveriam decidir: Braithwaite e Matheus Nascimento não corresponderam como homens-gol, Pavón teve atuação fraca pela direita e dúvidas sobre opções como Nardoni passam a incomodar. Quando o conjunto perde ritmo, a responsabilidade recai também sobre o treinador; a soma de resultados reduz a margem de confiança.
Luís Castro ainda tem dois pontos positivos no currículo do ano — o título do Campeonato Gaúcho e a venda de Viery —, mas são insuficientes para cobrir uma temporada que já aparece como de risco no Brasileirão, com vexame na Sul-Americana e incerteza na Copa do Brasil. A diretoria terá de escolher entre bancar uma recuperação imediata ou aceitar que o desgaste político e esportivo exige mudança para evitar que o quadro se agrave.